• andreabonotto1

Feito é melhor que perfeito!

Essa frase virou post it no meu espelho! A cobrança para atingir as expectativas impostas por nós mesmas, por uma sufocante perfeição idealizada.


Por muito tempo achei que minha organização, com pequeno leve de perfeccionismo vinha do fato de seu ser virginiana, até então tudo bem. Com o passar dos anos, minha profissão ajudou a moldar meu mind set, a ponto de perceber a diferença entre milímetros a olho nu. Levei isso para dentro da minha casa, tendo meus cabides organizados de forma monocromática e num ritmo frenético de ganchas todos para o lad o de dentro. Mas que nada, era somente uma pessoa organizada. Mal sabia eu que tudo isso era pura perfeição e que já morava dentro de mim e que não tinha ideia do mal que me faria alimentar diariamente esse controle.


Por muitas e inúmeras vezes a frustração tomou conta de mim, por não expressar aquilo que aqui gritava para sair. Pois então pensei, eu não sou tímida, eu sou introvertida, com leve traços de vergonha. Foi quando caiu em minha mãos meu primeiro livro da Brené Brown , que me levou através das suas palavras a uma análise profunda, desvendando que a raiz vergonha é a perfeição e o medo de não ser aceita. Em choque, fui rever momentos e ações que deixei por fazer pois a minha perfeição nunca permitiu, pois não era boa o suficiente e não estava bom o suficiente. Aquela voz critica interna, me fez perceber que eu não tinha uma relação amigável com fotografias, braço grande, cabelo desfeito...


Mas aquela voz me fez perceber que era muito mais do que isso. Mantive fotos sem irem a porta-retratos, mantive projetos em gavetas, ideias sem saírem do papel, palavras de conforto muitas vezes não foram entregues, pois não sabia se seria a palavra “correta” a dizer. Resolvi me aprofundar nesse assunto e encontrei o termo “síndrome da sabotadora”, que envolve perfeccionismo; nunca é bom o suficiente e estar sempre lutando para atingir as altíssimas metas impostar por nós mesmas. Eterna necessidade de agradar, sendo a boa menina se enganava atrás dos cabides monocromáticos.





Após esse choque, quis fugir, chorei e tentei lutar. Como qualquer reação de não aceitação. Então, entre todas as palavras de Brené , essa frase “o que não precisamos no meio das nossas batalhas diárias é sentir vergonha de sermos humanos”, me colheu, me abraçou e me levou a encontrar a autocompaixão. Sim, somos humanas, temos falhas e a beleza da vida é isso.


Hoje reconheço, sou uma perfeccionista em recuperação. Estou cada vez imersa ao exercício diário do desapego da autocritica. Falar comigo de forma gentil, acolhendo o bom o suficiente, feito melhor que perfeito. Levo comigo a filosofia Wabi-sabi, que convida a abraçar a imperfeição e autenticidade que somente a coragem de sermos imperfeitos nos leva vivermos de forma autêntica.





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